Cortes & costuras

“Bem no centro da faísca, praça central do coração da chama, a porta de um reino sem durar:” Paulo Leminski

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Tinha os olhos amarelos & xadrez. Uma anja preta. Gato a tira-colo. Colo atira gato. No céu de Olinda, ouvia Capiba. No chão de Pedreiras, João do Vale. Farpilhos desfarrapados cobriam a túnica que envolvia cabeça raspada, orelhas furadas e nuca desprotegida. Tudo doía. Nu exposto ao escrutínio.

Exaurida da casca transitória e rija dos gestos. Era um ovo, uma cobra de Tarsila. Verde-rosa. Sambava balé. A ralé ouriçava. Escrevia na tentativa íngreme de ser Maleável e Eterna como as Palavras. Mas escrever não derrama. Impreciso trabalho frágil.