Teatro: Walmor Chagas

“A arte não está no geral, mas no detalhe.” Stanislavski

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Esta é a história de um senhor de idade acometido por uma tentativa fúnebre de suicídio. Que se revelou vitoriosa. O fracasso da existência terrena frente à material morte parece-me assunto para outra hora. Antes é necessário concentrar-se nesse homem, estendido sobre uma cadeira de balanço, cujo sangue agora espesso, duro, cobre-lhe o colo, onde jaz um revólver calibre 38, esvaziado da única bala que lhe penetrou o ventre cinza e insosso.

Embora a aparência de um revólver possa suscitar em alguns o medo, tal perspectiva locomover-se-á ao extremo oposto, se o apontarmos para pensamentos de infância. A maneira pomposa à qual me refiro ao denominá-lo “senhor de idade” certamente incomoda o falecido, que mais tarde verão, ainda vive. Por isso o trataremos por velho, não idoso, e aqui revelamos as dificuldades advindas da diabetes, para caminhar, e a praticamente extinta visão.