Cinema: Charlie Chaplin

“Mancha de tinta ou gordura, em todo caso mancha de vida.
Passar os dedos no rosto branco… não, na superfície branca.
Certos papéis são sensíveis, certos livros nos possuem.
Mas só o homem te compreende. Acostuma-te, beija-o.” Carlos Drummond de Andrade

Luzes da Cidade

Os calcanhares encostam-se desaforados. Aquiles, o herói, os mantinha escondidos. Porque o vagabundo não teme que sejam vistos assim? Chamam a atenção dos outros. E se o homem mais forte do mundo possuía os calcanhares fracos, imaginem o desastrado, infantil, tolo e débil ladrão de quentinhas da bengala imunda.

O passo frouxo, indecoroso e hesitante não deixa mentir. É mesmo um sujeito desprezível, pobre de alma e bens materiais. Pertence aos mendigos, vem do colo dos famintos, divide a trouxa e a cama com cachorros de rua. Não há um sorriso, um resquício de felicidade no rosto de lua atabalhoada, lua sem iluminação, nem minguante, minguada.