Entrevista: Maria Alcina

“O riso magnífico é um trecho dessa música desvairada.” Cecília Meireles

Confete e serpetina

A verdade é que eles não sabiam se era homem ou mulher. Todos: jurados, público, entusiastas, críticos assustaram-se. Para alguns foi espanto de encantamento, outros de temor e repreensão. Há 40 anos, portanto no auge da ditadura militar que se estendeu no Brasil de 1964 a 1985. “Ser alegre contrastava com a situação do país.”

Um fio de corpo tremelicando no compasso da grave voz entoava “Fio Maravilha” – depois proibido o nome pelo próprio homenageado, transformado em “Filho Maravilha” – de Jorge Benjor, no Festival Internacional da Canção, de 1972. Gritos miseráveis escoavam das arquibancadas lotadas do estádio Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, de tanto era o descontrole que urros elogiosos poderiam facilmente confundir-se em apupos grossos. “Fui perseguida por comportamento, o país vivia uma outra situação física e emocional.”