Criolo – Rap Na Orelha

“O pássaro é livre na prisão do ar.
O espírito é livre na prisão do corpo.
Mas livre, bem livre,
é mesmo estar morto.” Carlos Drummond de Andrade

Nó Na Orelha

Tartamudeando a música estava ali abandonada, rejeito, até que o sujeito chegou para pegá-la. Guardou-a como uma tartaruga fora da casca, por descuido da mãe ou dos entes próximos. A música, pequenininha, singular, desprotegida, indefesa, precisa de guarda-chuva.

Não pode ficar ao relento, aguardando pingos grossos, finos, violentos. Enxurradas vorazes deixaram a música com aquela cara de cachorro pidão, pinto no lixo, molhado gato. Sem os pelos aparados, bem penteados, alisados, a música tem aparência amedrontada.