Cinema: Habemus Papam

“A beleza será convulsiva ou não será.” André Breton

Filme de Nanni Moretti

O cinema, não se deve tomar por inteiro. É um facho de luz, um feixe na cortina, o olhar, de quem filma. Um tacho de mel, a raspa da rapadura, o escândalo que nos vaticina. Sobre disso nos fala Nanni Moretti, no filme dele: “Habemus Papam”. Quero privilegiar as cenas de que me contaram, das quais nem o meu olhar foi refém. Não aguentei frequentar a saga do doloroso Papa em martírio. Por sono, pena, chuveiro quente à minha espera.

O cineasta italiano, que também atua no filme como um inveterado psicanalista, tenta em vão usar de conhecimento técnico para ‘curar’ o Papa, interpretado pelo veterano e bom de guerra Michel Piccoli, explicitando que suas teorias talvez sejam tão furadas e crentes num Deus como a da Igreja Católica, alvo do esbalde crítico do diretor.