Show: Elba Ramalho (canta Luiz Gonzaga)

“A Rosa modesta eriçou um espinho,
A humilde Ovelha um chifre ameaçador;
E o Lírio branco num deleite de Carinho,
Nem espinho ou ameaça, mas a luz e o esplendor.” William Blake

Elba canta Gonzaga

Elba Ramalho adentra a noite com claros olhos da manhã. Toda a beleza que vi não cabe num parágrafo. Tigre alaranjado, de tiras pretas no dorso, desperta rasgando palmeiras verde-escuro. Ruge e urde, pés vermelhos, terra batida, roda a saia amarela, lilás, reclina o colo, solta a voz, brinda e arranha e corta e gira e morde com seu espetáculo.

Elba Ramalho é assim tão sonsa e sina a nossa saboneteira. Não está ali para brincadeira. Está só para brincadeira e improviso e espontânea esbarra nos erros toda vez sem abrutamento ou dedicação ao palco. É pura dedicação ao palco. Por isso desfila como na vida, ensaia mas deixa o momento tomar conta, com sua mania de ser irreverente e estragar os planos dos metódicos.