Artes Plásticas: Camille Claudel

“Dôo-me até onde penso,
E a dor é já de pensar,
Órfão de um sonho suspenso
Pela maré a vazar…” Fernando Pessoa

Escultura Valsa

A onda traz até mim um cachorro. Tem olhos cor de rosa, língua pra fora a singrar os mares. Não vai haver facilidades, encontro-me num parto complicado. Anestesia não esconde a culpa de parir o que sou e não veio, nem existe na rede nem espada em riste. Pescadores jogam promessas.

Vago. Levanto-me. Mistério das missas. Miríades dos rejeitados. Erguido da rocha de sais. Sou eu a escultura de Camille Claudel. Perdão ou cura no papel, assinada pelo médico com broca. Hospício de minhas loucuras. Sanidade das minhas mártires. Erro e crio o novo. Procrio gazela no cio da mata come-me fogo, argila-lama, mata.