Literatura: Paulo Francis

Irônico jornalista colecionou textos impecáveis e desafetos por onde passou

Jornalismo

Há 15 anos morria o jornalista Paulo Francis, em Nova York. No banheiro da sua casa, ele agonizou os momentos finais antes de desvanecer nos braços de sua esposa, que o amparou e chorou como sugestiva parte do Brasil, sua terra natal.

Distante de agradar a todos, o jornalista inveterado, crítico de gregos e troianos, foi fiel e mordaz somente à sua própria filosofia. Como gostava de repetir, “apenas as pessoas inteligentes se contradizem”, e nessa área, Paulo Francis era inimitável.

Show: Humberto Junqueira

Em dia de festa violonista executa com esmero o repertório de Garoto

interpreta Garoto

Na noite de segunda-feira, no Conservatório da UFMG, rebola-se um misto de surpresa e surpreendido, inspiração e improviso, conformação e euforia. Explica-se: marca o fim dos trabalhos no mês. Mas é pouco o tempo de espera no calendário, somente uma semana de ausência, sentida firmemente em decorrência da qualidade dos que ali se apresentam, e legam saudade.

Humberto Junqueira não foi diferente dos outros que o antecederam nessa edição, ele inclusive, em escala formada de grupo (o descontraído ‘Quem Não Chora Não Mama’, que pegou para si no colo Jacob do Bandolim). Coube ao intérprete solo de violão de 7 cordas tomar em seus braços, dedos ágeis e giratórios capazes de circundar o complicado e harmoniosamente belo repertório de Garoto.

Ernesto Nazareth (Chorinho)

Chorinho

Quando o Brasil começou a fazer música brasileira e deixou de apenas importar contribuições externas, Ernesto Nazareth estava lá, com seu piano e sua humildade. Fã declarado de Chopin, o músico se notabilizou por não negar a qualidade musical que emergia de fora, mas inserir a esse contexto o que havia de mais Brasil e mais buliçoso em termos de musicalidade erudita e popular; ao mesmo tempo; sem barreiras limitantes. Muitos foram contra e a favor seu espaço em ambas as categorias, mas sua música ultrapassava ao conquistar unanimemente ouvidos e corações de figuras tão acaloradas quanto detentoras de status para certificar o real caráter de Nazareth, “a verdadeira encarnação da alma musical brasileira” para Villa-Lobos, com quem tocou, “um virtuoso do piano”, segundo Mário de Andrade, “genial” para tantos.