Centenários 2017: Ella Fitzgerald, o estilo a serviço da emoção

“E ao redor de todas aquelas cenas pitorescas e modorrentas, acima das árvores e das casinholas e dos rios lamacentos, flutuava o calor, nunca hostil, apenas reconfortante, como um grande peito cálido e nutritivo, amamentando a terra ainda criança.” F. Scott Fitzgerald

Ella Fitzgerald, dama da canção

Não existe comprovação de nenhum parentesco sanguíneo envolvendo Ella Fitzgerald e F. Scott Fitzgerald, mas é certo que tanto a cantora quanto o escritor norte-americano tinham algo em comum nas funções que desempenharam ao longo da vida: o estilo conciso, elegante e, até certo ponto, discreto, marca o canto de Ella assim como a escrita do autor de “Um Diamante do Tamanho do Ritz” e outros contos notáveis. O que não significa que houvesse falta de sentimento, na verdade, em ambos os casos, o estilo estava a serviço da emoção, mas não entregue a ela, prova de uma consciência que, associada a experiências de vida, fornece aos ouvintes e leitores o que se considera uma obra de arte em música e na literatura. Ella teve uma infância pobre e, tal qual a nossa exemplar brasileira Elza Soares, vestia-se tão maltrapilha que quase foi recusada pelo famoso chefe da orquestra que a acompanharia por vários anos, Chick Webb. No caso, sempre como coadjuvante, pois o estilo vinha todo de Ella Fitzgerald, “a dama do jazz”.

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Análise: Jerry Adriani moldou personalidade com versões românticas

“Doce, doce amor, onde tens andado
Diga por favor, doce, doce amor
Doce, doce amor, que eu vou te encontrar
Meu bem, seja onde for” Raul Seixas & Mauro Motta

Jerry Adriani cantou em português, inglês e italiano

É curioso notar que o cantor Jerry Adriani tenha influenciado artistas tão diferentes como Renato Russo e Raul Seixas. Embora ambos sejam associados ao rock ele exerceu sobre cada um impressões díspares. O que vem a revelar uma característica marcante da trajetória de Jerry. É difícil defini-lo não pela amplitude de seu estilo, mas, justamente, porque este foi moldado a partir de um repertório que procurou abarcar várias vertentes. Associado à Jovem Guarda, Jerry é, sobretudo, um cantor romântico. Nesse sentido, tanto a canção italiana que seduziu o líder da Legião Urbana quanto a sensualidade rebelde de Elvis Presley presente na gênese de Raul Seixas convergem para a mesma direção: a passionalidade. É certo que Renato a compreendia de maneira sincera, emocionada, tal como Jerry, ao passo que Raul se valia do sentimento para desferir suas ironias ferozes e inteligentes sarcasmos. Não é o caso de “Doce, doce, amor”, música que Seixas e Mauro Motta escreveram para o já consagrado Adriani no ano de 1972.

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3 músicas brasileiras para Tiradentes

“Ele representava o eterno dissidente, o constante inconformado, o eterno rebelde.” Reinaldo Arenas

Tiradentes foi retratado na música de Minas

Símbolo da insurgência por sua atuação destacada na Inconfidência Mineira – mártir e principal símbolo do movimento – o alferes Joaquim José da Silva Xavier teve sua trajetória retratada na música, no cinema, na literatura, no teatro e nas artes plásticas, dentre outras manifestações culturais igualmente populares, tanto que o apelido tornou-se, inclusive, nome de cidade mineira: Tiradentes. Especificamente na canção, o rebelde Tiradentes foi exaltado em forma de samba-enredo, usado em paródia carnavalesca e cantado com lirismo numa valsa cuja matriz principal é o chorinho. Seja como for, sua imagem permanece levando para gerações a premência da liberdade, ainda que tardia.

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10 álbuns essenciais de Milton Nascimento

“Trabalhando o sal, pra ver a mulher se vestir
E ao chegar em casa, encontrar a família a sorrir
Filho vir da escola, problema maior de estudar
Que é pra não ter meu trabalho, e vida de gente levar” Milton Nascimento

Milton Nascimento é símbolo do Clube da Esquina

Milton Nascimento quer voltar às origens. Há 50 anos ele iniciou sua “Travessia” dentro da música brasileira com álbum de título homônimo. Agora o cantor celebra as “bodas de ouro” e estreia show. O retorno é também a Minas Gerais. Em junho do ano passado Milton deixou o Rio de Janeiro e fixou residência em Juiz de Fora. Como se não bastasse, escolheu Belo Horizonte para apresentar, pela primeira vez, o espetáculo “Semente da Terra”. Os ingressos esgotaram-se rapidamente. “Esse show marca o meu presente, minha carreira, meus amigos, meu passado e, sobretudo, as coisas que eu vejo no mundo de hoje, todos esses fatores convergem para a minha música”, assinala o artista, que retornou aos palcos após mais de um ano afastado.

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Mineiro coloca letra em música de Zé Ramalho

“Na Paraíba um mineiro assim chegou
Usava botas carmesins e um terno azul
Sobre a cabeça o chapéu de um verde rum
No olhar cingia a esperança contra alguns” Raphael Vidigal

Música de Zé Ramalho ganha letra

Quando o cavaquinista Waldir Silva (1931 – 2013) apresentou a Raphael Vidigal, 28, sua obra autoral, o jornalista logo se deteve em uma canção específica, “Paraibeiro”, composta pelo instrumentista mineiro em parceria com o músico paraibano Zé Ramalho, 67, na década de 1970, quando os dois se encontraram nos estúdios de gravação da Polygram. Ali mesmo eles compuseram a melodia, um choro instrumental que brincava com as características da música mineira e paraibana, daí o título, advindo da mistura entre um paraibano e um mineiro.

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