Análise: Paulo Silvino colocou corpo expressivo a favor das piadas

“Posso inventar qualquer coisa, zombar dos outros, criar toda espécie de mistificações, fazer todo tipo de piadas e não ter a impressão de ser um mentiroso; essas mentiras, se quiser chama-las mentiras, sou eu, tal como sou; com essas mentiras, não simulo nada, na realidade com essas mentiras estou dizendo a verdade.” Milan Kundera

Paulo Silvino deu vida ao porteiro Severino

Se o modelo de beleza grega é pautado pela constância entre equilíbrio, simetria, harmonia e proporcionalidade, o que esta noção sugere como risível aponta justamente para o contrário. Diante deste segundo quadro, podemos nos deparar, frente ao ridículo, com outras duas possibilidades: repulsa ou empatia. Quando esta segunda reação acontece estamos, inevitavelmente, no campo do humor. No caso do ator Paulo Silvino, uma observação panorâmica revela o uso destas valências em todos os personagens que ele, literalmente, incorporou ao longo da trajetória. Não que sua representação buscasse o realismo ou alguma naturalidade, ao contrário. Com trejeitos e cacoetes típicos das definições de caricatura, Silvino soube colocar seu corpo expressivo e abundante a favor de piadas tão imediatas quanto uma assimilação física da realidade. Criou bordões cuja impulsão vinha mais da estética que do conteúdo. Prova é que a mera reprodução das palavras utilizadas não é capaz de alcançar o sentido delas quando imprimidas na tela por meio das atuações.

Veja mais

20 Músicas Especiais de Caetano Veloso

“Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo” Caetano Veloso

Caetano Veloso é autor de Coração Vagabundo

A primeira palavra dita por Caetano Veloso foi “quem”. Ao menos quando se toma como base sua carreira fonográfica iniciada em 1965, com a edição do compacto simples que traz “Cavaleiro” (da onde se extrai a expressão) em um lado, e “Samba em Paz”, no outro. Hoje, uma licença poética digna da liberdade defendida pelo bardo de Santo Amaro desde o princípio das eras tropicalistas, nos permite dizer que todos sabem quem é ele, chame por Caetano, Caê ou até a abreviação de sobrenome que rendeu título de disco lançado em 1984, Velô. Afinal Caetano é muito, muitos, e tens um coração vagabundo capaz de guardar o mundo em mim. Para expressar essa diversidade escolhemos algumas das nossas canções prediletas deste leonino.

Veja mais

10 álbuns antológicos de Nara Leão

“(…) cujos terraços têm cor de
estrelas.
Os suaves olhos, caimos, não desdenhosos,
a chuva também dentro do processo.
Aquilo donde partes não é o caminho
e oliveira no vento embranquecida (…)
que brancura somada a essa brancura,
que candor?” Ezra Pound

Nara Leão foi musa da Bossa Nova

Dez álbuns da discografia de Nara Leão (1942 – 1989) foram disponibilizados nas plataformas digitais pela Universal Music. Os títulos abrangem a fase final de atividade da cantora, que morreu precocemente vítima de um câncer no cérebro. Intérprete associada à Bossa Nova por sua voz de extensão pequena e seu estilo intimista de cantar, o período captado pela compilação demonstra as habilidades de Nara, capaz de transitar com desenvoltura tanto pelo repertório romântico de Roberto Carlos quanto as inovações estilísticas de Caetano Veloso, Gilberto Gil e a trupe da Tropicália, além de ser a primeira a dar voz ao samba do morro carioca.

Veja mais

3 pérolas negras com Luiz Melodia

“mestressala/maravilha/contemporânea que vai
desde o largo do estácio/até a mais alta estrela
que brilha/sobre o atlântico/negro oceano
quando um dos muitos/nomes dele é ébano” Ricardo Aleixo

Luiz Melodia é autor de Pérola Negra

Pela lógica da sabedoria popular, o destino do garoto do Estácio já estava traçado desde o nascimento. Afinal de contas, se é comprovado que filho de peixe, peixinho é, logo, filho de melodia, Melodia o é; ao menos assim o foi nesta história. Herdeiro direto de Oswaldo Melodia, Luiz recriou o samba, inseriu elementos jamaicanos, chorou com a canção e chegou, inclusive, a ser posto sob o guarda-chuva dos “malditos” pela indeterminação de sua obra, o que, claro, configura mais um acerto do artista. Talentoso compositor, capaz de sacudir com poesia suas canções embriagadas por molejos e lancinantes tons percussivos, Luiz Melodia foi, também, destacado intérprete. Soube pescar para resgatar das profundezas várias pérolas negras da nossa música popular.

Veja mais

10 Mulheres & Duplas Femininas Que Marcaram a Música Sertaneja

“naquela paisagem lá de dentro
avermelha um sol rebento
esquentando o meu cantar” Luhli & Lucina

Mulheres na música sertaneja

1 – Irmãs Castro
Maria de Jesus e Lourdes Amaral formaram, em 1938, a primeira dupla de mulheres a gravar música sertaneja no Brasil. Escondidas dos pais, elas venceram o concurso “Descobrindo Astros do Futuro” na rádio Bauru, interior de São Paulo. Já reconhecidas como as Irmãs Castro, lançaram, em 1945, o sucesso “Beijinho Doce”, composição de Nhô Pai, nome artístico de João Alves dos Santos.

Veja mais