7 curiosidades sobre João Gilberto

“Então houve um silêncio. Olharam-se; e seus pensamentos, confundidos na mesma angústia, abraçaram-se com força, como dois peitos palpitantes.” Gustave Flaubert

Tiete, o rapaz não titubeou ao avistar o poeta: o chamou de mestre, pediu um autógrafo e guardou a preciosidade num envelope pardo. Poucas horas depois, assim que chegou aos estúdios da gravadora Odeon, no Rio de Janeiro, largou com displicência a assinatura de Carlos Drummond de Andrade em um canto qualquer e nunca mais a avistou nem se preocupou com isso. O rapaz era João Gilberto (1931-2019), Papa da Bossa Nova. Essa e outras histórias são contadas na entrevista a seguir, concedida pelo jornalista Raphael Vidigal à repórter Jessica Almeida.

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Entrevistas: A nova música mineira feita por mulheres

“Eu, mulher dormente, na líquida noite
alargo a ramagem de meus cabelos verdes.
Sigo dentro desse cristal ondulante,
contida como o som nos sinos imóveis.” Cecília Meireles

Para ninar o “filhote que acabava de chegar ao mundo”, Elisa de Sena, 37, compôs, em 2016, “Meu Preto”, quando o seu filho tinha apenas 2 meses. “Eu estava imersa na maternidade e na amamentação, sem dormir à noite, com 24 horas por dia de dedicação a ele”, conta Elisa. Luiza Brina, 31, também passou noites em claro. A morte do menino sírio Alan Kurdi, de 3 anos, numa praia da Turquia, em setembro de 2015, expôs ao planeta o drama dos refugiados e tirou o sono da cantora. A dor daquela imagem foi transformada por Luiza em “Estrela Cega da Turquia” (parceria com Thiago Amud), em que ela canta: “Nem incenso, nem ouro, nem manjedoura, nem altar/ Numa praia fria da Turquia/ Eu vou ninar um menino à beira-mar”.

“Gosto de aprender e me deixar absorver, para isso se refletir na minha música”, diz Luiza. Ao citar mulheres que lhe serviram como referências, a guitarrista e vocalista da banda Moons, Jennifer Souza, 31, enumera Billie Holiday, Cássia Eller, Elis Regina e Björk, e não deixa passar o nome da conterrânea e contemporânea Luiza Brina. “É sempre encorajador ver mulheres ocupando posições que foram majoritariamente ocupadas por homens”, destaca Jennifer. Abaixo você confere as entrevistas com essas três artistas lançam trabalhos novos.

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Joyce Moreno: “Nunca tinha visto um governo com este ódio à cultura”

“Procuro palavras para definir o que sinto e não encontro. Talvez elas nem sequer existam, talvez seja apenas um fluxo mais forte de vida abrindo os sentidos, embrutecendo o raciocínio.” Caio Fernando Abreu

Logo que surgiu, a cantora Joyce Moreno, 71, chamou atenção por ser uma mulher dona do próprio discurso. Ou seja, além de cantar, ela era a autora de obras que, com melodias inspiradas na bossa nova e uma lírica particular, desvendavam o universo feminino sob o prisma único da mulher que se colocava como detentora dos próprios desejos e vontades. Ao festejar, em 2018, os 50 anos de seu LP inaugural, ela decidiu regravá-lo na íntegra. Ali estava presente “Me Disseram”, que integra a sétima coletânea da Mostra Cantautores. Joyce comemora o lançamento mas, com todo seu tempo de estrada, se revela preocupada com a valorização da autoria, grande mote da mostra.

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Zélia Duncan: “Lula é preso político” e “bandidos tiraram Dilma do poder”

“Eu ficarei em ti, mísera, inútil, mas rebelde,
última estrela só, do campo infiel aos céus escassos.” Cecília Meireles

Há pelo menos dez anos, desde “Pelo Sabor do Gesto” (2009), Zélia Duncan, 54, não lançava um disco com a sua “cara”. Nesse tempo, a carioca homenageou dois vanguardistas paulistas: Itamar Assumpção (1949-2003), em “Tudo Esclarecido” (2012); e Luiz Tatit, com “Totatiando” (2013); e também prestou tributo à obra não menos singular de Milton Nascimento, na parceria com o violoncelista Jaques Morelenbaum, que resultou no álbum “Invento +” (2017). Para completar, colocou na praça uma coleção de sambas, com “Antes do Mundo Acabar” (2015), a exemplo do que Adriana Calcanhotto havia feito em 2011.

Agora, Zélia está de volta às origens. Por mais que tenha procurado e alcançado a diversidade que pautou discos como “Eu Me Transformo em Outras” (2004) e “Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band” (2005), é inegável que a identidade da artista se formou nos primeiros anos da carreira, iniciada na década de 90 e que, para além da mistura bem fomentada entre folk e pop, tinha na construção poética o seu grande trunfo. É isso o que a cantora recupera em “Tudo É Um”.

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8 encontros musicais marcantes entre brasileiros e latinos

“A poesia e a literatura criam comunhão, e a gente descobre que é igual ao outro.” Rubem Alves

Idealizado pelo crítico musical Carlos Albuquerque, o festival Ultrasonidos teve a sua primeira edição realizada em junho deste ano, no Rio de Janeiro. Com o intuito de promover encontros entre músicos brasileiros e os seus vizinhos latino-americanos, a iniciativa levou ao palco apresentações de Alice Caymmi com o chileno Yih Capsule, MC Carol com o equatoriano Ataw Allpa e Aori com a colombiana Las Hermanas, entre outros. Aproveitando o ensejo, relembramos 8 encontros musicais marcantes entre brasileiros e latinos.

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